Redução da utilização de antibióticos, uma das prioridades do setor

Este número da Alimentação Animal é dedicado a dois importantes eventos organizados pela IACA:

Os Comités de “Pré-Misturas e Minerais” e de “Nutrição” da FEFAC, reunindo em Lisboa as principais associações europeias da indústria de alimentação animal. Além da discussão dos principais problemas legislativos e operacionais do sector (resumidos na área da SPMA), tivemos também a oportunidade de organizar em colaboração com a DGAV e a FMV de Lisboa, um Workshop sobre “Soluções em Nutrição Animal Contra a Resistência aos Antimicrobianos”, refletindo a atual preocupação da luta contra a “RAM – Resistência aos AntiMicrobianos”, numa estratégia integrada de “Uma Só Saúde” em que necessariamente a produção animal está implicada e em particular, a indústria de alimentação animal.

As VII Jornadas de Alimentação Animal, que nasceram na reunião da SPMA de Março de 2018 e que tiveram inicialmente como tema a “Redução do uso de antimicrobianos em produção animal”, depois corrigido para um título mais adaptado à nossa atividade de “Estratégias para a promoção da saúde intestinal em alimentação animal”. O programa resultante das apresentações propostas procurou demonstrar que este tema complexo da “Saúde Intestinal” deverá ter i) uma abordagem multifatorial (genética, ambiente, maneio, sanidade, alimentação,…), ii) que a qualidade das matérias primas é fundamental (fatores antinutricionais, alimentos funcionais,…), iii) a formulação dos alimentos deve ser adaptada a novos objetivos (controlo dos teores de proteína ou cálcio, poder tampão dos alimentos, uso de fibras dietéticas,…) e iv) que a utilização de “novos” aditivos (ácidos orgânicos, óleos essenciais, monoglicéridos, probióticos, prebióticos, enzimas,…) passa por compreender melhor a sua funcionalidade e forma de aplicação, possivelmente numa lógica de “Novos Promotores de Crescimento”. Foi revelador que numas jornadas de “Alimentação Animal”, 6 das 8 apresentações tinham no seu título “redução do uso de antibióticos”, demonstrando o atual objetivo destes “novos” aditivos.

Como notas finais, uma enorme satisfação pela grande adesão das empresas associadas e não associadas da SPMA para participarem nas jornadas (infelizmente nem todas puderam) e para o número de participantes (com o maior número de inscrições de todas as jornadas, estando presentes quase todas as empresas da IACA).

Um agradecimento para todas as empresas da SPMA, participantes ou não participantes, a todos os patrocinadores (em particular à USSEC) e oradores, aos moderadores (Profs. Chaveiro Soares e Divanildo Monteiro) e a toda a equipa da IACA.

No próximo ano, com a acelebração dos 50 anos da IACA, a responsabilidade da organização deste evento aumenta, pelo que deixo desde já o desafio às empresas SPMA para tentarmos fazer umas grandes VIII Jornadas de Alimentação Animal.

Pedro Folque

SPMA - IACA

Desafios à Fileira da Alimentação Animal em Tempos de Crescimento

O período de crescimento económico e de aumento do investimento privado que o país atravessa representa o momento certo, assim como uma oportunidade única, para serem criadas condições de base que assegurem a sustentabilidade desse mesmo crescimento.

Não obstante o importante contributo que a fileira da alimentação animal em Portugal continua a dar para o crescimento do PIB, mantêm-se por resolver inúmeros problemas que afectam a competitividade da fileira num mercado cada vez mais globalizado.

Desde logo, o problema dos elevados custos de contexto que afecta esta área. Efectivamente, apesar dos inúmeros esforços de simplificação de procedimentos, o tempo que demora a obter um licenciamento, bem como as variadíssimas entidades que têm que se pronunciar, não permitem que o sector pecuário nacional rapidamente se modernize e consiga verdadeiramente competir com países terceiros, dentro e fora da União Europeia.

Reflexo disso mesmo, uma quota importante da carne de vaca, porco e borrego que se consome em Portugal já ė importada, assim como quantidades significativas de pato e perú, sendo o País auto-suficiente e bastante exportador só de frangos e ovos. Sucede que este crescimento das importações e a diminuição do peso da produção nacional nas carnes consumidas em Portugal trazem consigo uma mudança de paradigma que afecta a fileira da alimentação animal, mas também os próprios consumidores.

Inequivocamente, ao deixarmos de consumir carne produzida em Portugal e optarmos por outras origens alternativas, estamos muitas das vezes a trocar o excelente controle sanitário e de qualidade feito pelas autoridades portuguesas, por um controle na origem feito muitas vezes de forma duvidosa. Neste quadro, são várias as notícias, vindas a público nos últimos tempos, de carnes de origem estrangeira que terão sido injetadas com percentagens elevadíssimas de água, que chegam a atingir mais de 20%, e assim, duma forma enganosa para os consumidores, competem, de uma forma ilegal e sem controlo, com a qualidade da carne portuguesa que é irrepreensível.

Torna-se, pois, essencial a tomada de medidas destinadas a reforçar as exigências de qualidade dos produtos disponibilizados aos consumidores. E como não poderia deixar de ser tudo começa na alimentação animal.

O Protocolo celebrado já este ano entre a IACA, a DGAV (e outras Entidades) dá um claro sinal do quanto a produção nacional está comprometida com a qualidade dos produtos que coloca no mercado, sendo até agora o primeiro acordo para a redução da utilização de antibióticos na produção animal. Mas, quiçá no curto prazo, devemos ser ainda mais ambiciosos, estabelecendo maiores restrições nos alimentos medicados, como um serviço prestado para o cliente, não existindo dúvidas para o consumidor de que aqueles alimentos devem ser produzidos e fornecidos após prescrição e acompanhamento pelo médico veterinário responsável pela exploração.

Não haja, pois, dúvidas que os tempos desafiantes que atravessamos passam inequivocamente pela eliminação da burocracia que obsta a uma rápida modernização das unidades pecuárias, pelo controlo rigoroso dos produtos oriundos de países terceiros, assegurando a qualidade que os consumidores portugueses merecem, e uma justa concorrência entre produtores, mas sem nunca esquecer o combate à evasão fiscal.

Esta é, portanto, uma oportunidade que não pode ser desperdiçada, em que, todos em conjunto, passemos das palavras aos atos e demonstremos que, num quadro de rigorosa igualdade de circunstâncias, os produtores portugueses são aqueles que proporcionam os melhores produtos aos consumidores nacionais.

Avelino Gaspar

Diretor da IACA

 

OLHOS POSTOS NO FUTURO

Apraz-me ver que a indústria à qual pertenço orgulhosamente continua de olhos postos no futuro, em busca ativa de soluções para os desafios que se vão atravessando no nosso caminho. Isto ficou claro na Reunião Geral da Indústria, no passado mês de maio, na qual o foco foi a Inovação e a Competitividade da Indústria no Horizonte 2030, e onde o nosso Presidente, José Romão Braz, destacou os principais obstáculos que o setor enfrenta. Um dos mais pertinentes é a comunicação, especialmente os desafios colocados pelas redes sociais. Poder-se-ia pensar que um setor como o nosso, tradicional e talvez ainda com um caminho a percorrer no que respeita à comunicação, demostrasse alguma resistência a estas temáticas. No entanto, o que vejo é uma abertura à discussão destes tópicos: como contornar a desinformação existente e a má imagem que os produtos de origem animal por vezes enfrentam, num mundo onde a globalização da informação nem sempre atua nos melhores interesses do consumidor, especialmente face às diferenças profundas a nível legislativo na produção animal na EU, quando comparada com outros mercados.

Julgo que a abordagem proactiva da IACA e dos seus associados é vital para a transformação positiva da nossa imagem. Devemos demonstrar que acreditamos no nosso trabalho, nos nossos produtos, com os quais nos alimentamos, a nós e às nossas famílias e, em última instância, alimentamos a população mundial, que tão insaciável se tem mostrado. A nossa Missão é alimentar o mundo.

Isto ficou claro em Fátima, durante as apresentações do primeiro painel, em que se evidenciou a necessidade de visar os desequilíbrios na alimentação a nível mundial, o desperdício e obesidade nos países desenvolvidos e o contraste com os países em desenvolvimento. O foco da FEFAC na segurança alimentar, nutrição animal e sustentabilidade como visão da Indústria, assunto que tive o prazer de apresentar aqui, num editorial passado, leva-nos de volta àquelas que são e serão as preocupações recorrentes da nossa Indústria: poder contar com matérias-primas de qualidade, em quantidade e com responsabilidade!

Certamente que este caminho só será possível se nos aliarmos (e ao nosso saber) a quem faz investigação e desenvolvimento de vanguarda, sempre em parceria com a administração pública e os organismos legislativos, de forma a garantir que as decisões futuras são tomadas de forma informada e apoiada na melhor ciência disponível. Os diversos projetos apresentados na Reunião demonstram que já estamos avançados nesta estratégia que se me afigura de sucesso. Não posso deixar de destacar o projeto PEFMED apresentado pela FIPA, que aborda a análise do ciclo de vida dos alimentos compostos produzidos na Europa, e que conta com a participação entusiasta dos nossos associados. Julgo que este projeto é um passo essencial para a sustentabilidade ambiental do nosso setor. 

A opinião dos muitos associados presentes, que não tardou em chegar-nos, é que este foi um dos melhores eventos que organizamos até à data. Fica assim levantada a fasquia e as expetativas para as VII Jornadas de Alimentação Animal, dia 27 de setembro, onde certamente continuaremos esta discussão, com muito gosto.

 

António Isidoro

Diretor da IACA

 


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