REFLEXÕES

Esta edição da Alimentação Animal fecha o ciclo dos primeiros 25 anos da revista, em boa hora lançada pela IACA, como o meio mais adequado para a apresentação e divulgação das realizações da Associação, das novidades do mercado, da investigação aplicada à nutrição animal e às diferentes tecnologias que abrangem o sector dos alimentos compostos e, enfim, de todos os assuntos relevantes para a Indústria.

Desde a primeira hora apresentou artigos de elevada qualidade técnica e interessou um vasto conjunto de profissionais da larga comunidade científica que gravita à volta da área da alimentação animal: as universidades, os produtores de cereais e outras matérias-primas e os profissionais (nutricionistas e veterinários) ligados à gestão racional e optimizada dos efectivos animais, base de uma produção pecuária eficiente e competitiva.

Um conjunto vasto de desafios se tem colocado à indústria dos ACA. Desde os pioneiros que, partindo de outras áreas de negócios souberam valorizar produtos excedentários e criar uma nova actividade até às novas empresas criadas de base para este negócio e às integrações verticais hoje existentes, foi todo um desenvolvimento industrial e pecuário verificado sobretudo a partir da década de 70 e que alterou profundamente a capacidade do país para a produção de produtos de origem animal seguros e competitivos.

A indústria ultrapassou com dinamismo os anos de fortes constrangimentos administrativos e posicionou-se adequadamente para os novos desafios da economia de mercado. O seu perfil foi-se alterando: de negócio isolado e principal, integrou-se progressivamente em cadeias de valor, cujo centro de decisão principal, nalguns casos, se deslocou, ora para jusante ora para montante.

Esta evolução introduziu muita heterogeneidade na sua estrutura associativa, mas nunca fragilizou a unidade da IACA. Os seus sócios souberam sempre distinguir os interesses gerais dos particulares e, ao longo do tempo, têm escolhido para a IACA líderes e equipas capazes de serem os máximos denominadores comuns da sua actividade. A filiação na Federação Europeia (FEFAC), desde muito cedo, foi outro bastião de afirmação e acompanhamento da evolução da indústria na Europa. O trabalho desenvolvido pelos seus representantes, cuja qualidade é reconhecida há longos anos, tem mantido a IACA sempre em lugares de destaque na FEFAC. 

Atingido o seu ponto máximo de crescimento em meados da década de 90, a Indústria foi-se renovando e ajustando aos novos desafios entretanto surgidos: clientes cada vez mais profissionais, animais com melhores performances, explorações de muito maior dimensão e complexidade tecnológica, preocupações ambientais e de segurança alimentar, consumidores muito mais esclarecidos e exigentes, etc.

A modernização do País e a progressiva concentração das organizações de distribuição e venda ao consumidor provocaram uma fragilidade estrutural no negócio agro-pecuário que tem limitado fortemente a sua rentabilidade. Em simultâneo, as fortes restrições ambientais existentes em Portugal e os regimes de quotas comunitárias, entre outros, não tem facilitado a manutenção dos efectivos pecuários e o aparecimento de novas unidades de produção animal, factor fundamental para o nosso crescimento.

A abertura ao mercado comunitário e ao mercado global constituiu mais um enorme desafio pela complexidade dos mercados das commodities, dada a forte dependência da Indústria das importações de matérias-primas. Mais uma vez, a IACA demonstra a sua responsabilidade e actualidade ao apresentar um projecto de parceria para reforçar os controlos dos produtos importados (QUALIACA), com o objectivo de apresentar aos seus clientes produtos cada vez mais seguros e sustentáveis, minimizando potenciais crises alimentares, cujas consequências bem conhecemos do passado.

Os problemas são novos e as soluções terão de ser também novas e diferentes. Mas um sector que se construiu em menos de 50 anos tem a capacidade técnica e de gestão de se reinventar e encontrar soluções adaptadas às novas realidades. Os desafios serão enormes, mas as perspectivas continuam a ser positivas, como certamente constatarão ao longo desta edição da Alimentação Animal.

Uma coisa nunca poderá ser esquecida pelos Governos: nenhum país pode ter a sua população dependente da importação de bens alimentares. Muito mais do que a dependência financeira, a dependência alimentar é a última fronteira da sobrevivência enquanto comunidade.

Ao longo de mais de trinta anos fiz parte dos Orgãos Sociais da IACA. A presença na Associação acompanhou a minha vida profissional e permitiu-me conhecer de muito perto as várias gerações de industriais e gestores deste sector e aprender imenso com eles.

Desejo à Presidente da Direcção e à sua renovada equipa as maiores venturas na gestão da Associação. Foi uma honra e um privilégio ter integrado as equipas da IACA.

Dezembro de 2014

José Filipe R. Santos


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