Desafios à Fileira da Alimentação Animal em Tempos de Crescimento

O período de crescimento económico e de aumento do investimento privado que o país atravessa representa o momento certo, assim como uma oportunidade única, para serem criadas condições de base que assegurem a sustentabilidade desse mesmo crescimento.

Não obstante o importante contributo que a fileira da alimentação animal em Portugal continua a dar para o crescimento do PIB, mantêm-se por resolver inúmeros problemas que afectam a competitividade da fileira num mercado cada vez mais globalizado.

Desde logo, o problema dos elevados custos de contexto que afecta esta área. Efectivamente, apesar dos inúmeros esforços de simplificação de procedimentos, o tempo que demora a obter um licenciamento, bem como as variadíssimas entidades que têm que se pronunciar, não permitem que o sector pecuário nacional rapidamente se modernize e consiga verdadeiramente competir com países terceiros, dentro e fora da União Europeia.

Reflexo disso mesmo, uma quota importante da carne de vaca, porco e borrego que se consome em Portugal já ė importada, assim como quantidades significativas de pato e perú, sendo o País auto-suficiente e bastante exportador só de frangos e ovos. Sucede que este crescimento das importações e a diminuição do peso da produção nacional nas carnes consumidas em Portugal trazem consigo uma mudança de paradigma que afecta a fileira da alimentação animal, mas também os próprios consumidores.

Inequivocamente, ao deixarmos de consumir carne produzida em Portugal e optarmos por outras origens alternativas, estamos muitas das vezes a trocar o excelente controle sanitário e de qualidade feito pelas autoridades portuguesas, por um controle na origem feito muitas vezes de forma duvidosa. Neste quadro, são várias as notícias, vindas a público nos últimos tempos, de carnes de origem estrangeira que terão sido injetadas com percentagens elevadíssimas de água, que chegam a atingir mais de 20%, e assim, duma forma enganosa para os consumidores, competem, de uma forma ilegal e sem controlo, com a qualidade da carne portuguesa que é irrepreensível.

Torna-se, pois, essencial a tomada de medidas destinadas a reforçar as exigências de qualidade dos produtos disponibilizados aos consumidores. E como não poderia deixar de ser tudo começa na alimentação animal.

O Protocolo celebrado já este ano entre a IACA, a DGAV (e outras Entidades) dá um claro sinal do quanto a produção nacional está comprometida com a qualidade dos produtos que coloca no mercado, sendo até agora o primeiro acordo para a redução da utilização de antibióticos na produção animal. Mas, quiçá no curto prazo, devemos ser ainda mais ambiciosos, estabelecendo maiores restrições nos alimentos medicados, como um serviço prestado para o cliente, não existindo dúvidas para o consumidor de que aqueles alimentos devem ser produzidos e fornecidos após prescrição e acompanhamento pelo médico veterinário responsável pela exploração.

Não haja, pois, dúvidas que os tempos desafiantes que atravessamos passam inequivocamente pela eliminação da burocracia que obsta a uma rápida modernização das unidades pecuárias, pelo controlo rigoroso dos produtos oriundos de países terceiros, assegurando a qualidade que os consumidores portugueses merecem, e uma justa concorrência entre produtores, mas sem nunca esquecer o combate à evasão fiscal.

Esta é, portanto, uma oportunidade que não pode ser desperdiçada, em que, todos em conjunto, passemos das palavras aos atos e demonstremos que, num quadro de rigorosa igualdade de circunstâncias, os produtores portugueses são aqueles que proporcionam os melhores produtos aos consumidores nacionais.

Avelino Gaspar

Diretor da IACA

 


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