* produção de alimentos compostos para animais em 2016

O desempenho da economia nacional e a evolução da conjuntura da indústria dos alimentos compostos para animais, num clima de progressiva globalização e interdependência, foi naturalmente condicionado pela situação política e económica mundial, na União Europeia e em Portugal, com dois elementos comuns: a incerteza e o fraco crescimento económico.

A nível mundial, o FMI e o Banco Mundial reviram em baixa as suas previsões de outono para 2016 e 2017, centrando-se num ambiente mais desfavorável das economias emergentes, devido à recessão no Brasil e na Rússia, e com a China em desaceleração face aos anos anteriores. Fatores como o Brexit, os resultados das eleições nos EUA e o novo modelo de governação do Presidente Trump, a situação política no Brasil, o embargo russo, a par da crise dos refugiados, do terrorismo, dos preços do petróleo e da instabilidade do sistema financeiro, lançaram a economia numa elevada incerteza, que se deverá manter em 2017.

Na União Europeia, o resultado do referendo no Reino Unido e a programação para a saída daquele país da União Europeia (em 2019?), conduz ao receio de alguma fragilização e de um efeito de contágio, com eleições em países chave como a Holanda, França ou Alemanha, em 2017, numa altura em que a Europa se prepara para discutir o orçamento plurianual e quando acaba de ser lançada uma consulta pública sobre a Modernização e Simplificação da PAC, preparando a revisão da Política Agrícola Comum para o pós-2020.

No entanto, foram as crises dos sectores do leite e da carne de porco – a que se juntaram, no último trimestre, a carne de bovino e os cereais – que marcaram o ano de 2016, com preços à produção muito baixos e o risco de abandono da parte dos produtores, em particular no nosso país.

A Comissão Europeia implementou uma série de medidas, para além das decisões nacionais dos Estados-membros, com ajudas na ordem dos 1 000 milhões de € e, se no caso do leite se esperam melhorias nos preços de mercado, na carne de suíno, depois de um período com alguma recuperação (a partir de maio), no final de 2016 regressaram os preços baixos, acentuando-se as dificuldades das empresas e de toda a Fileira. Espera-se, no entanto, alguma recuperação para 2017.

Em Portugal, um ano depois da entrada em funções do novo Governo e com expectativas relativamente baixas, a economia portuguesa acabou por crescer, em 2016, mais do que se esperava (1,4%), o deficit situou-se nos 2,1%, o nível mais baixo em 40 anos de democracia, e o desemprego caiu para os 10,2%. Impulsionado pelo turismo, pelas exportações e pelo aumento do consumo privado, o desenvolvimento do país continua a ter alguns problemas ao nível da sua sustentabilidade: o baixo investimento e a dívida pública, sobretudo o elevado peso do Estado, que continua a crescer.

Para além destas questões, com impacto direto ou indireto no nosso Setor e em toda a Fileira, com uma longa greve dos operadores portuários no Porto de Lisboa, com impacto negativo nas condições de aprovisionamento da Indústria, o ano de 2016 ficou marcado pelos seguintes fatores:

Pela positiva,

  • A tendência de queda dos preços das principais matérias-primas para a alimentação animal, consequência das condições climatéricas favoráveis e recordes de produção de cereais e soja a nível mundial, com impacto na oferta e na reconstituição de stocks,
  • A baixa de preços das principais matérias-primas para a alimentação animal, pese embora a sua volatilidade, tenha permitido diminuir os custos de produção da alimentação animal e tornar a pecuária mais competitiva – em particular nos países mais competitivos da União Europeia, sobretudo ao nível do leite e da carne de porco, com um aumento dos efetivos e das produções europeias, apesar da crise,
  • A resposta à crise por parte da Comissão Europeia com um pacote de medidas e uma aposta na internacionalização, o que permitiu aliviar as tensões de mercado e níveis de exportação recorde, sobretudo de carne de porco, tendo a China como principal destino,
  • Os preços do petróleo, com um comportamento favorável, bem como a imposição de metas para a produção de biocombustíveis, com reflexos favoráveis nos preços do milho e das oleaginosas,
  • Um aumento da oferta de proteaginosas na União Europeia, o que fica a dever-se, em parte, às medidas implementadas no quadro da reforma da PAC,
  • O esforço continuado da parte das autoridades nacionais, no sentido da abertura de mercados externos para os produtos agroalimentares,
  • A cumplicidade entre a Administração Pública em muitos dossiers, designadamente da parte dos Ministérios da Agricultura e do Mar, indo ao encontro de algumas das necessidades e reivindicações do Setor, sobretudo ao nível do QUALIACA e as respostas e soluções encontradas, quer na greve dos estivadores, quer nas crises do leite e carne de suíno;

Pela negativa:

  • A continuidade do embargo russo, limitando as exportações de leite e carne de porco (apesar das exportações em alta para a China, sobretudo de Espanha, que já ultrapassaram os níveis anteriores ao embargo), com o aumento da oferta destes produtos e preços baixos nas explorações pecuárias, pondo em causa a sua viabilidade,
  • A relação euro/dólar, muito volátil, devido à relativa desvalorização da moeda europeia, pese embora a promoção das exportações, não permitiu acomodar na sua totalidade, a baixa dos preços das principais matérias-primas na origem,
  • A continuada quebra dos preços do petróleo, com influência direta em países exportadores, como por exemplo Angola, que são destinos importantes das exportações nacionais,
  • A estratégia de “destruição de valor” e as práticas abusivas da Grande Distribuição, com sucessivas promoções e baixos preços dos produtos de origem animal e, não raras vezes, sem cumprirem as regras de rotulagem e falta de informação clara ao consumidor,
  • A continuada divulgação de estudos sobre a qualidade do leite e o impacto negativo na opinião pública (e nos consumidores), criando uma perceção errada quanto às vantagens do seu consumo,  
  • A continuada desinformação quanto às consequências do consumo de carnes vermelhas e de produtos transformados na saúde dos consumidores, considerando estes produtos como potencialmente cancerígenos, na sequência do estudo do IARC do ano passado, conjugado com o impacto da atividade pecuária no ambiente e nas alterações climáticas,
  • A insuficiente resposta na abertura de alguns mercados externos, essenciais para que as empresas se possam consolidar e ultrapassar as dificuldades criadas pelo mercado interno   

 

Em conclusão, 2016 foi um ano bastante complicado e difícil, na linha do que já tinha acontecido no ano anterior, como aliás antevíamos no final de 2015, com o acentuar da crise do leite e da carne de porco e a ausência de respostas concretas, mas que se estendia claramente a todos os produtos de origem animal.

Com todas estas crises que condicionaram o Setor, as nossas estimativas de produção apontam para uma relativa estabilidade face ao ano anterior ao nível do mercado “real”, o que é confirmado pela amostra que mensalmente é analisada pela IACA.

No entanto, devido à entrada de novos associados e a um incremento significativo no mercado dos alimentos para outros animais (petfood), para além do reforço das empresas integradas na IACA na quota do mercado nacional, a produção associada registou um novo crescimento, em torno dos 3,0% - para um volume de 3.1 milhões de tons -, devido aos aumentos nas aves, bovinos e outros animais, com os alimentos para suínos, como se esperava, a registarem um declínio.

Ao nível da estrutura de produção, os alimentos para aves aumentaram ligeiramente a quota de mercado, de 41,0% para 42,8%, mantendo, no entanto, a liderança do mercado, seguindo-se os alimentos para suínos, que sofreram uma redução ficando abaixo do limiar das 800 000 tons (produção associada), com uma quota de 25,5% (28,3% em 2015) e os alimentos para bovinos, com 22,2% (22,0% no ano anterior), reforçando ligeiramente a posição no mercado. No que respeita aos alimentos para outros animais, registam uma quota de penetração de 9,5%, contra os 8,7% do ano anterior.

 

Produção de Alimentos Compostos para Animais

(Empresas Associadas na IACA)

                                                                                            1000 Toneladas

 

2015

2016

Var. %

Aves

1 242

1 336

7.6

Bovinos

668

692

3.6

Suínos

858

796

-7.2

Outros

264

298

12.9

TOTAL

3 032

3 122

3.0

 


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