* plano de ação da IACA para 2011

Se os dois anos anteriores foram marcados por grandes dificuldades, o ano de 2010 trouxe ainda maiores problemas para a vida das empresas, consequência da grave crise económica e financeira e da instabilidade política que caracterizou o país, condicionando, de forma muito negativa, a actividade empresarial.
 
Infelizmente, não só os problemas estruturais não foram resolvidos como muitos até se agravaram, criando ainda maiores debilidades no conjunto da Fileira Pecuária.
 
Em geral, as autoridades nacionais continuaram a manifestar alguma insensibilidade para a resolução dos problemas dos sectores pecuário e agro-alimentar, de que são exemplo:
 
 - As questões ambientais e de licenciamento no quadro do REAP,
 
 - A posição dominante das cadeias de distribuição com as consequências, para o tecido empresarial, decorrentes das gravosas práticas comerciais e da crescente penetração das marcas brancas.
 
Nesta perspectiva e apesar das expectativas criadas pelo novo Governo, 2010 foi claramente um ano perdido.
 
Por outro lado, os preços das principais matérias-primas para a alimentação animal registaram aumentos significativos, consequência da excessiva volatilidade e especulação que caracterizaram os mercados bolsistas. Confrontada com estes agravamentos, a indústria de alimentos compostos foi obrigada a reflectir estes aumentos nos preços dos alimentos para animais, os quais constituem, como todos sabemos, o principal factor de custo das produções pecuárias. 
 
Em contrapartida, como consequência da crise financeira e da redução do consumo, os produtores pecuários não conseguiram repercutir os aumentos dos custos nos preços dos produtos finais, situação agravada pela pressão das importações e pelo, funcionamento da grande distribuição que, beneficiando da sua posição de domínio, tem procedido ao esmagamento dos preços de compra pelo sector retalhista e como consequência, provocado sucessivas quebras nos preços pagos à produção.
 
A contínua alta dos preços das matérias-primas e os prazos de pagamento, pela produção pecuária, cada vez mais dilatados colocaram as indústrias da alimentação animal no limite da sua capacidade financeira e de endividamento. Por outro lado, os produtores pecuários não conseguem suportar novos aumentos. A situação é pois dramática para a Fileira, podendo conduzir ao encerramento de milhares de explorações pecuárias e unidades fabris no curto/médio prazo.
 
Neste clima profundamente adverso, com tantas limitações que se colocam ao desenvolvimento da actividade e que decorrem dos constrangimentos de natureza ambiental, segurança alimentar e bem-estar animal, acrescido dos chamados ´´custos de contexto´´, sem possibilidades de aumentar os efectivos em Portugal, a produção de alimentos compostos para animais registou uma nova quebra (estimada em torno dos 3%), sendo a avicultura o único segmento a registar uma tendência de estabilidade.
 
As crises da bovinicultura, quer ao nível da carne, quer na vertente leite - apesar da melhoria dos preços do leite - e em particular da suinicultura, foram as principais responsáveis pela conjuntura de 2010, constituindo motivo de particular preocupação as reduções nestes segmentos e que se situam em níveis de 7% relativamente a 2009. Confirma-se deste modo a tendência para a concentração da actividade e uma redução do chamado "mercado livre" face às integrações.
 
Perspectivar 2011 não é, pois, tarefa fácil. O mais provável é sermos confrontados com um ano ainda mais difícil, de enormes contenções e sacrifícios. De facto, as propostas contidas no Orçamento de Estado, com o aumento significativo dos impostos e do IVA, e as condições de financiamento mais restritivas, irão penalizar fortemente as empresas e as famílias, agravando ainda mais a profunda crise que se vive, já de si caracterizada pela forte dependência do país em bens essenciais.
 
Com o desemprego em alta, o consumo privado deverá diminuir bem como o PIB, pelo que receamos uma profunda recessão, afectando naturalmente o consumo de carne, leite e ovos. Por outro lado, procurando conter a inflação, as cadeias de distribuição alimentar tenderão a pressionar os fornecedores no sentido de limitar eventuais aumentos de preços.
 
Pelas razões atrás expostas esperamos um ano particularmente exigente e muito difícil para o nosso Sector.
 
Ao nível dos principais dossiers, as grandes temáticas para 2011 passam pela criação de condições para a melhoria dos mercados agrícolas e pecuários, incluindo as questões ligadas à agricultura biológica, o estudo dos impactos das restrições ambientais (REAP, licença ambiental), a correcta avaliação da problemática do IVA, relativamente a Espanha, o funcionamento harmónico da cadeia alimentar - designadamente o problema das cadeias de distribuição -, o acordo da União Europeia com os países do Mercosul, e a criação de condições para melhorar a imagem e competitividade da indústria e da pecuária nacionais, no quadro da discussão da reforma da PAC pós 2013, onde representamos a indústria agro-alimentar através da FIPA junto dos órgãos de decisão.
 
A excessiva volatilidade e a especulação atingiu, tal como em 2008, os mercados das matérias-primas e constitui hoje um motivo de preocupação da comunidade internacional e dos decisores políticos europeus. Constituirá igualmente uma das nossas prioridades, bem como a defesa de melhores condições de aprovisionamento da Indústria.  
 
No plano externo, teremos como prioridade os OGM (aprovação de novos eventos e fim da tolerância zero), o acompanhamento e proposta de medidas no sector dos cereais, oleaginosas e proteaginosas, a disponibilidade do aprovisionamento do mercado em proteína, quer no quadro da discussão em torno da reutilização das PAT (proteínas animais transformadas), quer pela implementação de um plano europeu (e nacional) para o fomento das proteaginosas, a monitorização e implementação do Regulamento sobre a comercialização de alimentos para animais e a revisão da Directiva sobre os alimentos medicamentosos.
 
Na sequência da Comunicação da Comissão de Novembro e de toda a nossa actuação em 2010, temos ainda o futuro da PAC pós-2013, em que as nossas grandes preocupações estarão centradas em assegurar um orçamento compatível com os desafios que se colocam no curto e médio prazo: aumento da procura mundial, ambiente, sustentabilidade, gestão dos recursos e alterações climáticas.
 
As grandes preocupações serão: assegurar o aprovisionamento de matérias-primas em quantidade, qualidade e estabilidade; combater a volatilidade e a especulação; garantir políticas coerentes e assegurar regras equivalentes entre as exigências  impostas às produções animais na União Europeia e as e as aplicadas às congéneres de países terceiros; melhorar a competitividade da Indústria e contribuir para reabilitar a imagem da pecuária intensiva ecologicamente eficiente.
 
Atentos e fortemente preocupados com a conjuntura actual e as perspectivas de curto/médio prazo, para o ano de 2011, os principais objectivos da IACA passam pela consolidação e reforço da sua actividade de representação da Indústria, que se centram em 4 eixos fundamentais:
  • Reforçar a ligação entre a IACA e os seus associados, ao nível dos contactos directos (Grupos de Trabalho com técnicos das empresas associadas, para acompanhar dossiers relevantes para o Sector), da informação disponibilizada (IS, Revista "Alimentação Animal", Notas de Conjuntura, INFO IACA, Notas Semanais, Circulares, website) e na resolução de problemas que se colocam a cada empresa e no âmbito das Reuniões Regionais da Indústria.
  • Reforço da Cooperação com as autoridades nacionais, designadamente com os Ministérios da Agricultura, Economia e Ambiente e os diferentes serviços que os integram face aos dossiers importantes que estão a ser negociados em Bruxelas ou os que decorrem da legislação nacional.
  • Reforço da articulação entre a IACA e as organizações a montante e a jusante do nosso Sector, quer ao nível das Associações pecuárias (representantes dos sectores das carnes, do leite e dos ovos) e da FIPA,  consolidando a relação de Fileiras e criando maior lobby e "massa crítica" junto das autoridades nacionais e internacionais na defesa dos interesses comuns, que são a defesa da produção nacional e do Mundo Rural, o equilíbrio no relacionamento com as cadeias de distribuição, a promoção da produção pecuária e do consumo de produtos de origem nacional.
  • Consolidar a imagem da IACA e as suas mensagens/posições no plano internacional, em particular junto da FEFAC, CIAA - potenciando a representação da indústria europeia em determinados fóruns e em Grupos Consultivos ao nível da Comissão Europeia - e da opinião pública, através dos meios de informação e do meio académico e universitário, intervindo em Jornadas, workshops, Seminários e Conferências.
Para atingir estes objectivos, o Plano de Acção contempla um conjunto de iniciativas, das quais destacamos as seguintes:
  1. Realização de eventos ao longo do ano, designadamente uma maior aposta nas Reuniões Gerais da Indústria e nas Reuniões Regionais, mantendo o modelo testado em 2008, convidando personalidades das autoridades oficiais a acompanhar os trabalhos, de forma a compreenderem melhor as nossas posições. Serão privilegiadas as reuniões internas com os nossos Associados para discussão e reflexão sobre os problemas do Sector.
  2. Presença da IACA nos fóruns nacionais e internacionais a que está ligada, designadamente no âmbito da FIPA, GPP, DGV, Ambiente, FEFAC, CIAA e Comissão Europeia e contactos ao nível da REPER, Parlamento Europeu e a Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Assembleia da República.
  3. Criação de Grupos de Trabalho "ad-hoc" para a discussão e tomada de posições face a determinados dossiers importantes para o futuro do Sector.
  4. Colaboração com outras organizações da Fileira Agro-Alimentar no sentido de identificar os principais problemas e estrangulamentos no relacionamento produção/indústria/distribuição, tendo em vista a implementação de um Código de Boas Práticas e uma relação equilibrada com a grande distribuição alimentar.
  5. Consolidação da Revista "Alimentação Animal", com maior destaque à inovação do Sector, à investigação e às empresas associadas, sem perder de vista as posições da IACA, análises de mercado e os artigos de opinião.
  6. Acompanhamento e monitorização dos dossiers que directa ou indirectamente afectam a Indústria
 
Tal como em 2010, Vontade, Coerência, Coesão da Indústria e Sustentabilidade da IACA serão os grandes desígnios para 2011 e as grandes orientações estratégicas no médio e longo prazo.  

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