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Revista: Nº 95 - 2016

  • Categoria: Revista
  • Data da Revista: 2016-03-31
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    https://issuu.com/alimentacao_animal/docs/aa_95_site

    Indíce
    • Editorial
    • Tema de Capa
    • 2016 AIL
    • Biotecnologia
    • Crise da Pecuária
    • Investigação
    • SFPM
    • Notícias
    • Notícias das empresas
    • Agenda
    • Estatuto Editorial
    • Propriedade

    Editorial

    Que Lições devemos tirar desta crise?

    A Europa e, em particular Portugal, vive uma crise sem precedentes na sua produção pecuária e esta atinge, naturalmente, a Indústria da alimentação animal, com destaque para as nossas empresas associadas, de alimentos compostos e pré-misturas. Qualquer problema ou constrangimento nos nossos clientes, reflete-se na nossa Indústria, pelo que os problemas de uns são seguramente de todos, ao longo da cadeia alimentar.

    Temos de ser solidários porque todos os setores são necessários ao crescimento económico e do emprego, ao objetivo de sermos autossuficientes e de contribuirmos para o progresso do País, em que a atividade pecuária tem de ser importante porque a alimentação animal, o leite e as carnes, no seu conjunto, são os principais setores do agroalimentar, quer em Portugal, quer na União Europeia

    Por outro lado, a soberania alimentar é da maior relevância; não nos podemos dar ao luxo de reduzir ainda mais a nossa dependência e vulnerabilidade, sobretudo no contexto atual de incerteza (e insegurança) em que vivemos: os refugiados, a segurança e os recentes atentados de Bruxelas e Paris, a desconfiança entre Estados-membros, a falta de coesão entre países e crescentes movimentos xenófobos que põem em causa os valores, a liberdade e a tolerância, que têm sido as pedras basilares da União Europeia.

    Dos últimos encontros em Bruxelas, ficou o reconhecimento político de que se trata de uma crise histórica e que a Comissão tudo fará para não “deixar cair a pecuária na União Europeia”, dando a certeza de que utilizará “todas as medidas e mecanismos” previstos na PAC. O problema é que esta PAC, reformada em 2013, é muito limitada do ponto de vista das ajudas, para fazer face a crises desta dimensão e nenhum Ministro quer usar a chama Reserva de Crise porque isso significaria ir retirar dinheiro das ajudas diretas a todos os agricultores. Ou seja, se estamos perante uma crise sem paralelo, temos de utilizar medidas extraordinárias e que não sejam complementadas por ajudas nacionais. Países com problemas orçamentais como o nosso, ficariam ainda em maior desvantagem competitiva não só para enfrentar a crise, como para fazer face à necessária reestruturação que vamos ter de enfrentar.

    Apesar de existir uma clara convergência entre as posições expressas pelo COPA/COGECA e as decididas pela Comissão, existem, em nossa opinião, dois argumentos de peso que dão ainda maior profundidade a esta crise, pelo menos em Portugal, e que o poder político tem de ter em conta: o primeiro, do lado da oferta, em que as fábricas de alimentos compostos para animais - tradicionais financiadores da atividade pecuária - já esgotaram a sua capacidade financeira e de financiamento; o segundo, as relações na cadeia alimentar, designadamente entre a produção, a Indústria e a grande distribuição, na sua configuração atual, ao utilizarem os produtos de origem animal como “isco” ou “âncora”, não favorecem a produção nacional.

    Será que podemos continuar a assistir a tudo isto como se não tivéssemos capacidade de organização? Quando sabemos que nada temos a dever relativamente à qualidade dos nossos produtos face aos concorrentes europeus ou de países terceiros?

    As perspetivas que temos pela frente não são animadoras porque a oferta é superior à procura e os preços ainda vão continuar baixos. As medidas de limitação da oferta podem funcionar mas vão trazer dificuldades ao Setor.

    Portugal e a Europa têm retirar algumas lições importantes: é essencial saber ler as crises e antecipar os problemas, ter medidas europeias e não nacionais, começar a discutir uma PAC que resolva os problemas da volatilidade dos preços e rendimentos (seguros?), começar por dar resposta às práticas da grande distribuição. Limitar as promoções, à semelhança do que acontece em países da União Europeia, designadamente em França, já seria um excelente começo e ânimo para enfrentar estes tempos difíceis, e um sinal político de que o Governo está do lado da produção e da economia. No plano interno, é importante que se aposte no mercado externo, no sentido de ultrapassar os problemas colocados pelo embargo russo e complementar a ofensiva diplomática de Bruxelas.

    Sem esquecer que todos temos de saber conviver em conjunto e que estamos “condenados” a entender-nos, em nome da criação de valor na cadeia alimentar, cumplicidade e coragem são necessárias…as empresas e os empresários saberão estar à altura dos desafios para ultrapassar a crise e evitar um novo colapso. Assim saibam os decisores políticos!

    Cristina de Sousa



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