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Revista: Nº 96 - 2016

  • Categoria: Revista
  • Data da Revista: 2016-07-30
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    Indíce

    Editorial

    Parcerias como garantia a sustentabilidade do sector

    Em finais de 2013 escrevi um editorial para a Revista Alimentação Animal nº 86, cujo tema era “A Qualidade no Sector dos Alimentos Compostos para Animais”, que terminava com um apelo à adesão ao projecto pela Indústria, em conjunto com os nossos fornecedores e as autoridades. Passaram cerca de 2 anos até que o projecto se tivesse tornado uma realidade, mas verificamos que acabou por não arrancar como previsto inicialmente, num acordo tripartido, e neste momento existe um conflito jurídico a dirimir entre a ACICO e a IACA. Acresce que para além dos exigentes desafios com que nos temos confrontado, vivemos no último ano uma grande crise que se iniciou no sector da suinicultura, abrangendo posteriormente o sector do leite e neste momento, também já inclui os ovos. Tudo isto, com uma conflitualidade permanente no Porto de Lisboa durante vários meses, que culminou numa greve dos estivadores, com graves consequências para o Sector e para o País. Obviamente que estas crises se repercutem directamente no sector da alimentação animal que sente uma diminuição da produção e perspectivas desanimadoras quanto ao futuro.

    Apesar do quadro negro, dos desafios permanentes e das crises persistentes, a capacidade de superação e a resiliência que o nosso sector tem demonstrado, deixam-nos um sentimento de orgulho, por um lado, e de esperança no futuro, por outro. Senão vejamos, num cenário de grandes dificuldades, a volatilidade das matérias-primas parece ter regressado depois de uma relativa acalmia por um período de 1 a 2 anos, após grandes colheitas em ambos os hemisférios, o “Brexit” tornou-se uma realidade, quando ninguém realmente acreditava que fosse possível, e o eurocepticismo parece alastrar-se por toda a Europa. Mesmo neste cenário a UE bateu o record de exportações de carne de porco nos primeiros meses de 2016, situação que permitiu a inversão dos baixos preços no porco e, de um momento para o outro, respira-se de alívio. Nos Açores onde a produção leiteira é a actividade económica mais importante, vimos surgir o projecto “Vacas Felizes” e “Leite de Pastagem”, que promove e realça os elementos diferenciadores e de sustentabilidade que o sector leiteiro tem nos Açores, procurando, assim, um maior valor acrescentado no mercado. Verificamos que, durante a crise da suinicultura, projectos diferenciadores conseguiram ultrapassar e resistir de uma forma muito mais capaz. Se reflectirmos, apesar das dificuldades, há sempre sinais positivos e empresas, organizações e Países que conseguem dar a volta e manter as suas actividades económicas, assentes em políticas e práticas que garantem a sustentabilidade económico-financeira.

    Procurando denominadores comuns aos vários projectos de sucesso, penso ser possível identificar algumas características comuns: grande exigência da definição dos objectivos e tolerância zero para o incumprimento dos requisitos de qualidade; parcerias dentro da Fileira, ou seja, abrangem sempre 2 ou 3 parceiros na cadeia de valor (por exemplo, no caso do Leite Vacas Felizes, fabricante de rações, produtores de leite e indústria de lacticínios); valorização adicional do produto produzido (verifica-se no caso da carne de porco e do leite – neste caso, mais 10%); grande sentido de interdependência entre todos; apostas numa parceria a médio-longo prazo (este ponto é fundamental para garantir que nos momentos de crise não é tudo posto em causa e as empresas ultrapassam as dificuldades). Enfim, poderia continuar a enumerar características comuns, mas o importante é a mensagem de parceria e de tentar trabalhar para um horizonte de médio-longo prazo, fugindo ao imediatismo e repentismo que hoje vivemos e que coloca em causa a sustentabilidade de muitos negócios. Para terminar gostaria de apelar ao sentido de responsabilidade de todos os parceiros do sector da alimentação animal, que, como sabemos, começa nas matérias-primas e termina na grande distribuição, passando pelo fabrico de rações, produção agropecuária e indústria transformadora. Os bons exemplos já são uma realidade mas, no curto prazo, temos que continuar esse caminho, empregando as nossas energias no combate a visões individualistas e incompatibilidades, e construindo parcerias que garantam o sucesso de todos os intervenientes da Fileira da Alimentação Animal.

    José Romão Braz



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