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Revista: Nº 97 - 2016

  • Categoria: Revista
  • Data da Revista: 2016-11-03
  • Agora também pode ver a nossa revista online!!!
    https://issuu.com/alimentacao_animal/docs/aa_97_final

    Indíce
    • Editorial
    • Visão 2030
    • Sustentabilidade
    • Biocombustíveis
    • Biotecnologia
    • Investigação
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    Editorial

    Ainda vamos a tempo de virar a página

    Olhando para os últimos números da nossa revista, há um sentimento recorrente que me acompanha: preocupação. Preocupação com o futuro do setor, dos mercados, das pessoas que diariamente se dedicam a esta indústria de alma e coração. A necessidade de inovar, de ser mais eficiente, de estar um passo à frente, acompanha-nos desde sempre e dita o caminho a seguir. É um caminho difícil, sem dúvida. Nos últimos anos, tivemos muitos percalços e dificuldades e necessitámos de todas as nossas forças para nos mantermos em atividade. A história da nossa indústria é uma história de superação e de resiliência, da qual nos orgulhamos muito. Mas chegou o “momento de virar a página”.

    Para garantir um futuro seguro, competitivo e sustentável, a FEFAC apresenta a visão 2030 da indústria dos alimentos compostos, num trabalho de reflexão que envolveu as suas Associações filiadas, entre as quais a IACA, Comités e Grupos de Peritos. Esta visão assenta em três pilares indissociáveis: segurança alimentar, nutrição animal e sustentabilidade. Um dos pontos que deve ser realçado é a convicção de que apenas seremos bem-sucedidos se tivermos o envolvimento de todos os atores da cadeia de valor. As iniciativas não devem partir apenas da indústria dos alimentos compostos, devem, antes, ser inclusivas e integradas. Um exemplo é a questão da redução de medicamentos nas explorações. É possível, através da nutrição animal, alcançar soluções que permitam estimular o sistema imunitário dos animais em produção e melhorar a sua saúde intestinal, com o bónus acrescido do consequente aumento de produtividade da exploração. No entanto, apenas uma abordagem integrada nos permitirá alcançar o sucesso. Estas soluções beneficiarão, sem dúvida, o consumidor final, que está não só cada vez mais preocupado com a sua saúde, mas também com questões relacionadas com o bem-estar animal.

    Ainda no campo da nutrição animal, apostamos também na flexibilização das formulações, através da utilização de novos ingredientes. Nas célebres palavras de Antoine Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". A utilização eficiente de recursos limitados tem sido o foco da investigação, especificamente o aproveitamento inteligente de coprodutos da alimentação humana. Falamos de novas matérias-primas, como as farinhas alimentares, resultantes de quebras na produção de bolachas, por exemplo, ou a produção de farinhas de origem animal de subprodutos de matadouro (para animais de companhia e aquacultura). Com a utilização destes novos ingredientes conseguimos, simultaneamente, contribuir para a economia circular e reduzir a pegada de carbono das nossas explorações, utilizando eficientemente produtos que, de outra forma, seriam tratados como resíduos da indústria alimentar. O papel da investigação em nutrição animal é definir de que forma estes ingredientes devem ser utilizados para assegurar a qualidade e segurança dos nossos alimentos e a saúde e bem-estar animal, nas nossas explorações pecuárias, enquanto, simultaneamente, se reduzem as emissões de poluentes para o meio ambiente.

    O terceiro eixo de ação em nutrição animal não poderia deixar de ser o aperfeiçoamento do perfil nutricional dos produtos alimentares da pecuária, que é influenciado pela dieta fornecida ao animal. A ciência demonstrou que é possível moldar e ajustar os níveis de ómega 3, tão essenciais na saúde humana, na carne, no pescado e nos ovos. Da mesma forma, micronutrientes essenciais (iodo, selénio, zinco, entre outros) podem ser incluídos nas dietas de forma a estimular a sua deposição na carne, com benefícios para a saúde humana. No entanto, mais uma vez, apenas com o envolvimento de todos os stakeholders será possível rentabilizar uma estratégia desta natureza. O consumidor necessita de ter acesso a mais e melhor conhecimento, para fazer uma escolha informada no momento da compra.

    Toda esta estratégia terá que ser baseada numa indústria de alimentos compostos inteligente, em que a produção monitorize parâmetros de segurança alimentar, de sustentabilidade, de valor nutricional das dietas, permitindo uma abordagem personalizada de nutrição de precisão. Em suma, a visão 2030 da FEFAC permite-nos um vislumbre do que será o futuro da nossa indústria. Um futuro em que sustentabilidade, segurança e nutrição estão interligados. Em que os alimentos são ecologicamente sustentáveis, seguros, mas também desenhados à medida das nossas necessidades nutricionais. É um futuro para o qual nos orgulhamos de contribuir.

    António Isidoro



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