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Revista: Nº 88 - 2014

  • Categoria: Revista
  • Data da Revista: 2014-07-16
  • Agora também pode ver a nossa revista online!!!
    http://issuu.com/alimentacao_animal/docs/revista_aa_88_ultima_para_site

    Indíce
    • Editorial
    • Tema de Capa
    • 25º Aniversário
    • Avicultura
    • Bovinicultura
    • Qualidade
    • Investigação
    • Parcerias
    • SFPM
    • Notícias das empresas
    • Notícias

    Editorial

    A “AA” não é uma revista do setor avícola, mas a IACA tem acompanhado, muito de perto, a evolução do setor de produção de ovos que, nos últimos 3 anos, por força da normativa europeia do bem-estar animal que entrou em vigor em janeiro de 2012, foi motivo de muita abordagem em fóruns especializados e na comunicação social.

    Tendo em conta a interligação entre a IACA e os seus associados com a fileira do ovo, com iniciativas e reuniões que a IACA tem promovido e com iniciativas do setor da produção de ovos a que a IACA se tem associado – a recente colaboração com a ANAPO e a SPAMCA na feira de Santarém é um bom exemplo -, irei utilizar este espaço para uma abordagem ao setor de produção de ovos.

    A grande questão será esta: como produzir os melhores ovos e os mais seguros ao menor preço? O futuro está nos ovos “0”- produção biológica (estes ainda com uma margem residual, por força do elevado custo de produção), nos “1”- produção free range / ar livre, nos “2”- produção no solo / sistemas alternativos ou nos “3”- produção em baterias / jaulas, sendo que o custo de produção é sempre crescente do “3” ao “0”.

    Estamos inseridos numa União Europeia que, como em tantos outros assuntos, apresenta as suas divisões. A Europa do “Norte”, com um nível de vida que permite superar uma carestia de vida que a Europa do “Sul” encara com muito mais dificuldades. O panorama atual é bem demonstrativo desta dicotomia, com o “Norte” a produzir maioritariamente ovos “2” e “1” e o “Sul” a produzir maioritariamente ovos “3” e “2”.

    Numa ótica de segurança alimentar, em que a questão “salmonela” será a mais relevante e de custo de produção, não restarão dúvidas da opção por ovos “3”, mas há que reconhecer que na Europa, por pressão de alguma opinião pública, muitas vezes pouco ou mal informada, muitas vezes com artigos na comunicação social manifestamente tendenciosos e por pressão da grande distribuição e indústria alimentar (as maioneses são um bom exemplo), tudo aponta para uma gradual inversão no sentido de mais procura de ovos “2” e “1”. Também aqui é notória a diferença de velocidade a que isto ocorre nas “duas Europas”.

    Atendendo às excelentes condições em que estão alojadas as galinhas nas novas jaulas, a cumprir tudo o que está na nova normativa de bem-estar animal, com grande parte dos pavilhões a reunirem muito boas condições de higiene, climatização e bio segurança, não haverá qualquer mais-valia nos ovos “2” quando comparados com os ovos “3”. O consumidor desvaloriza o “número” e valoriza essencialmente, para além do preço, uma embalagem apelativa, ovos bem encascados e limpos e continua a valorizar uma gema bem amarela, tão típica dos ovos produzidos em Portugal. A eventual e polémica mais-valia dos ovos “1”, quando comparados com os “2” e “3”, considerando essencialmente a segurança alimentar na utilização do ovo em casca – na utilização industrial com ovo-produtos as considerações serão de outra índole – é seguramente assunto que merece uma abordagem mais aprofundada que não tem cabimento no âmbito deste Editorial.

    Nos últimos 3 anos, por força da normativa europeia de bem-estar animal, foram feitos avultados investimentos em Portugal e Espanha, maioritariamente em baterias / jaulas, que vão condicionar o modo de produção nos próximos anos, apesar de se notar algum recente aumento de efetivos de produção de ovos “1” e nomeadamente “2”. Seria muito mau para um setor que tem vivido e continua a viver muitas dificuldades, com preços de ovos muito abaixo dos custos de produção no último ano e meio e suportado por produção basicamente em baterias, que alterações significativas na procura possam vir a por em causa, no mínimo, o retorno de tantos investimentos feitos.

    A rentabilidade do setor da produção de ovos é condicionada por fatores de que destacaria os seguintes, para além dos motivados pela fatídica crise económica, que tem especial reflexo no setor da pastelaria:

    os mitos do consumo de ovos

    – a salmonela e o colesterol ainda são temas quentes e o ovo continua a não ser encarado como uma refeição completa por uma grande franja dos consumidores - cuja desmistificação e inerente aumento de capitação continua difícil, continuando Portugal com uma capitação de ovos anormalmente baixa no quadro europeu, apesar da sua cada vez melhor qualidade e segurança alimentar; a desorganização comercial típica do setor; a pressão da GDO e a particular sensibilidade das aves à qualidade das matérias-primas utilizadas na sua alimentação - o setor incorpora grandes quantidades de milho, com a má qualidade que é reconhecida por todos e que tantos prejuízos tem causado e continua a causar ao setor. Produzir ovos e analisar a performance das aves em Portugal é bem diferente no período em que há disponibilidade de milho de campanha nacional do resto do ano.

    Se há fatores que podem ajudar o setor, assim como os fabricantes de alimentos compostos, a ter níveis de desempenho que permitam a sua competitividade e desejáveis níveis de autossuficiência, a qualidade das matérias-primas disponíveis para a alimentação animal será seguramente primordial. A IACA tem estado fortemente empenhada no projeto QUALIACA, com toda a colaboração e envolvimento da DGAV, nesse objetivo de incremento de qualidade.

    O empenho de todos os operadores – intervenientes no abastecimento de matérias prima, reunidos na ACICO, fabricantes de alimentos compostos, reunidos na IACA e autoridades oficiais - é não só desejável como condição essencial para a sustentabilidade da produção animal e do fabrico de alimentos compostos.

    Rafael Neves



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